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Museu Municipal de Avis
Etnografia e Arqueologia

   
Informações.

 

 

 


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Horário de Funcionamento
Encerrado para Obras
 
Morada
Largo Cândido dos Reis
7480-116 Avis
 

Contactos

242 410 093
 
 
O Museu

O Museu Municipal de Avis - Etnografia e Arqueologia está instalado na sala do Capítulo do antigo Convento de São Bento de Avis desde o final da década de 80 do século XX .

Do seu acervo fazem parte peças recolhidas pelos funcionários do Município e pelo Artesão local, António Bonito, bem como peças doadas pela população. Este acervo é composto por três núcleos: arqueologia, artesanato e etnografia.

Em Novembro de 2003 teve início a sua remodelação, que permitiu a sua reabertura a 18 de Setembro de 2004 com a inauguração dum Ciclo de Homenagem ao pintor local Ângelo Paciência com as exposições “A Arte no Vosso Lar” e o “Homem e a Terra”. Numa primeira fase a política museológica do museu passa pela manutenção de exposições temporárias o que permitirá mostrar alguma da diversidade do acervo. Assim sendo, após o Ciclo de Homenagem a Ângelo Paciência foram realizadas mais duas exposições: uma de artesanato “O Trabalho das Mãos” a outra de etnografia “ Ofícios dos nossos Avós”.

Dentro da vertente pedagógica, para além das visitas guiadas, foi criado o Ciclo “Vamos ao Museu”, no qual se irão integrar um conjunto de iniciativas, a primeira das quais intitulada Atelier dos Ofícios. Este decorreu em conjunto com a exposição “Ofícios dos nossos Avós”, e contou com a colaboração de vários habitantes locais representantes de antigas profissões como agricultor, barbeiro, costureira, ferrador, marceneiro, pastor, pedreiro/adobeiro, sapateiro e tosquiador, que estão cada vez mais esquecidas. Estiveram ainda envolvidas no projecto, as escolas pré-escolar e básicas do Concelho num total de 300 crianças.

 
.Em Exposição...
 

"O Ofício de Aferidor"
De 20 de Outubro de 2008 a 11 de Outubro de 2009

A exposição “Ofício de Aferidor” permite ao visitante deste espaço museológico, descobrir os instrumentos e os equipamentos inerentes à profissão de aferidor de pesos e medidas, muitos dos quais, hoje em dia estão em desuso.
O espólio agora exposto era parte integrante da antiga oficina dos diferentes aferidores municipais.

O comércio é uma das mais antigas actividades humanas, desde sempre ouve  necessidade de se fazerem trocas comerciais. Cada civilização desenvolveu o seu sistema de pesos e medidas, as primeiras tiveram o próprio corpo humano como base, exemplo disso são as polegadas e os palmos.

O primeiro sistema de medição que temos registo em Portugal foi o romano logo seguido do árabe, mantendo-se os dois no entanto em simultâneo, o que fazia com que existisse grande variedade de pesos e medidas.

Nos primeiros tempos da nacionalidade haviam inúmeros pesos e medidas que diferiam de região para região. D. Afonso IV foi o primeiro a tentar uniformizar as medidas do reino. No entanto, até ao século XIX vários sistemas métricos foram usados em Portugal, cruzando influências romanas, árabes e europeias. Com a publicação a “13 de Dezembro de 1852 do decreto com força de lei que estabeleceu em Portugal o sistema legal de pesos e medidas adoptado em França”(1) passamos a reger-nos pelo sistema métrico decimal.

Associada aos pesos e medidas, surgiu em Portugal, a profissão de aferidor de pesos e medidas afim de fiscalização e controlo metrológico. A aferição é uma profissão pouco visível, mas bastante presente no nosso quotidiano. É graças a essas medições que temos a certeza de que não estamos a ser enganados nas trocas comerciais.

Em Portugal  “em 29 de Dezembro de 1860, foi decretado o serviço de aferição nos concelhos do país e em 7 de Março de 1861, o respectivo Regulamento confirmado pelo decreto de 1 de Julho de 1911.”(2)

A profissão de aferidor requer todo um universo de saberes, procedimentos, instrumentos e medidas padrão. Hoje em dia, devido à evolução tecnológica, não existem em todos os municípios aferidor, no entanto até à década de 90 do século passado em quase todos os municípios havia um aferidor Municipal encarregue de aferir e conferir todos os instrumentos de pesar e medir existentes no Concelho.

Os aferidores de pesos e medidas eram nomeados pelas Câmaras Municipais. Estes tinham como função aprovar ou reprovar os instrumentos de precisão e trabalhavam tanto na oficina como faziam serviços externos. As medidas e os instrumentos de medição tinham que ser aferidos e conferidos todos os anos.

No concelho de Avis “a aferição de todos os instrumentos de pesar e medir será feita normalmente nos meses de Maio a Julho, e a conferição nos meses de Novembro e Dezembro de cada ano, podendo uma e outra prolongar-se por um mês para as povoações fora da sede de concelho”.(3)

Em Avis, os primeiros registos encontrados até à data  que mencionam a existência de um aferidor municipal de pesos e medidas remontam a 1928, tendo esta profissão existido no Concelho até ao final da década de 80 do século XX .

1) In “ Padrões Prototipos Systema Metrico Decimal”
2) In Manual do Aferidor – António Miguel, 1950
3) In Artigo 19 - Câmara Municipal do Concelho de Avis  - Posturas sobre pesos e medidas  de 1952.


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.Exposição Permanente
 

Memórias de outros tempos

"Memórias de outros tempos" é uma exposição temporária de longa duração que, através de três pequenos núcleos expositivos, pretende levar o visitante a recuar alguns anos atrás e viver ou reviver o que foram as vivências de grande parte do Alentejo no que diz respeito ao trabalho do campo e à típica habitação Alentejana.
Esta exposição é ainda composta por um pequeno núcleo dedicado à marcenaria. Este núcleo resulta da última grande doação feita ao Museu por parte do Mestre Marceneiro Artur Azedo.

 

O Trabalho Agrícola

Os campos cultivados e os trabalhos agrícolas marcaram profundamente a História Local. Durante anos a população viveu quase exclusivamente da agricultura.

Neste concelho, profundamente rural, os recursos económicos assentavam de uma maneira geral na produção e comércio de cereais, azeite e cortiça e na criação de gado.

O árduo trabalho do campo estabelecia o ritmo da vida local, onde as jornas de trabalho tinham como companheiro o sol que ditava o ritmo da lida.

O ciclo do trabalho da terra, sementeiras, monda, ceifa, colheita e debulha ocupava as populações durante todo o ano, havendo mesmo a necessidade de contratar pessoas de outras localidades pois a mão de obra local não bastava para certo tipo de actividade como é o caso da ceifa.

Em Portugal o desenvolvimento da agricultora deu-se somente a partir do final da década de 40 do século XX. No entanto, até bastante tarde as alfaias agrícolas tradicionais foram utilizadas, sobretudo nas pequenas explorações familiares.

As alfaias agrícolas tradicionais eram geralmente feitas localmente e adaptadas a cada trabalhador. O caso das enxadas é disso exemplo, os seus cabos eram adaptados à altura da pessoa.

Nos últimos 30 anos, a agricultura perdeu peso na economia e na sociedade, mas foi sem sombra de dúvida, uma das actividades que mais marcou o povo Português durante gerações.

Este decréscimo ficou a dever-se por um lado ao aparecimento de máquinas agrícolas cada vez mais sofisticadas e por outro à importação de produtos do estrangeiro.

 

 

A Habitação Alentejana

O povoamento no Alentejo tem uma característica muito particular que se prende, desde logo, com os inícios da nacionalidade e o período da reconquista cristã.

A região do sul do país não era povoada, o que levou os nossos reis a doarem grandes domínios a nobres ou a grandes ordens religiosas, como foi o caso da região onde se situa hoje Avis, que por volta de 1211 foi doada por D. Afonso II aos Freires de Évora. Tendo esta Ordem, anos mais tarde, dado origem à extinta Ordem de São Bento de Avis.

As populações viviam nos aglomerados urbanos (vilas ou aldeias) ou dispersas nos montes.

No que se refere à habitação tipicamente Alentejana, ela é constituída apenas por um piso térreo. As casas nas zonas rurais de piso térreo têm poucas janelas e dimensões reduzidas. No entanto, as casas das aldeias devido a questões de espaço podem ter dois ou mais pisos. Nestas casas, devido à dimensão da fachada não existem janelas, apenas uma porta com um postigo.

As casas eram rebocadas e caiadas no interior e exterior, de branco ou com cores vivas.

A divisão principal da casa é a cozinha que funcionava ao mesmo tempo como sala de estar e de trabalho. Uma das principais características deste tipo de construção é a enorme chaminé de chão, onde as pessoas cozinhavam e se aqueciam. As cozinhas possuíam nichos, poiais e prateleiras, bem como mobília simples (cadeiras de madeira com assentos de palha entrançados, bancos, mesas, arca).

No que se refere aos montes tão característicos na região e dispersos pela paisagem, podem, segundo Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano “ser casas solarengas; às vezes com dois ou três andares, com terreiro e pátio murado, até casas térreas mais ou menos modestas e pequenas, ajustadas às necessidades das lavouras respectivas, ou apenas para habitação de ganadeiros, guardas ou pastores.”(1)

Podemos assim dizer, e de um modo geral, que uma das características principais da arquitectura tradicional no Alentejo é a chaminé de chão na cozinha.

(1) - OLIVEIRA, Ernesto Veiga de; GALHANO Fernando - Arquitectura Tradicional Portuguesa; Publicações Dom Quixote; Lisboa; 2000

 

 

O Marceneiro

Alterações sociais e económicas promoveram o desaparecimento de muitos marceneiros. De facto, actualmente, a maioria dos móveis são feitos em série e quando estes se estragam deitam-se fora e adquirem-se outros.

 O marceneiro emprega grande número de ferramentas que se podem dividir em cinco grandes grupos que se prendem com a sua função: medir e marcar; cortar; perfilar e polir; perfurar e percutir e extrair. Possui ainda inúmeros acessórios e produtos para diversos fins.

No grupo das ferramentas de medir e marcar existem o metro, a régua, o compasso, o graminho e a suta. Nas ferramentas de corte, os serrotes, as serras, os formões, o guilherme e o corteché. A lima, a lixa, a grosa e o raspador pertencem à categoria de perfilar e polir. O berbequim manual, o arco de pua e a verruma integram o grupo das ferramentas de perfurar. O martelo e o alicate estão incluídos nas ferramentas de percussão e extracção.

Um bom marceneiro tem que conhecer todas estas ferramentas que estão ao seu alcance e possuir boas bases de desenho à vista e geométrico. Um trabalho de marcenaria começa por marcar, traçar e serrar a madeira.

Para além da tarefa de executar novas peças, o marceneiro também restaurava aquelas que se iam deteriorando com o uso e a passagem do tempo.



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