As expressões de religiosidade local produziram, ao longo dos tempos, verdadeiras manifestações artísticas, mais ou menos eruditas, muitas com forte pendor popular. Denotando, pelos materiais empregues, as dificuldades inerentes a uma execução, por vezes, pouco cuidada tecnicamente, os Ex-votos reflectem o sentimento e alma de quem quer agradecer uma graça concedida e são sobretudo uma expressão de fé.
O trabalho artístico dos Ex-votos permite-nos uma incursão no tempo, como verdadeiros espectadores de cenas da vida quotidiana local. Eles são, sem dúvida, um reflexo inocente, mas verdadeiro, de uma forma de ser e de estar das gentes locais onde a fé, numa entidade protectora, funciona como um bálsamo perante o desconhecido, as indomáveis forças da natureza ou o azar humano.
O carácter de agradecimento público faz com que quase sempre sejam colocados em espaços de visita ou acesso públicos para perpetuação da sua memória, ainda que em muitos templos seja na sacristia onde se podem, ainda hoje, encontrar.
Existem alguns elementos que estão sempre presentes na representação iconográfica da graça concedida e que são: o nome de quem foi agraciado com o pedido, o nome da entidade a quem se pede e ainda o ano da graça ou do milagre que foi realizado.
Uma outra vertente, mais actual, dos Ex-votos assume expressividade através da tridimensionalidade. A cera ganha forma e frequentemente aparece como oferta ao santo ou santa de devoção em sinal de agradecimento, pelo favor conseguido em virtude de uma doença ou acidente, que colocou em risco partes do corpo ou a própria vida.
Os Ex-votos aqui apresentados são provenientes de três Freguesias do Concelho de Avis, Benavila, Figueira e Barros e Valongo e são, assim, também eles uma forma de fé e arte das gentes desta terra.
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